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A realidade de Camões

06/12/2010

Nunca fui fã de literatura brasileira e portuguesa, até acho que sou assim por ter sido tão obrigada a ler trechos de Camões, Machado de Assis, Guimarães Rosa, Eça de Queirós, Graciliano Ramos e pseudônimos e heterônimos de Fernando Pessoa na escola quando eu ainda tinha uns 12 anos. E além disso, mal entendida o que aquela linguagem tão século passado queria dizer.

Acho isso tão errado! Eu sempre amei ler, amava as aulas de gramática e as tão odiadas análises sintáticas. Amava fazer redação sobre qualquer assunto, mas as aulas de literatura… meu Deus! Eu às vezes desejava estar estudando física e equações do que estar lá. Tinha ódio daquela obrigação de ler livros pelos quais eu não despertava qualquer interesse.

Na 6ª série, tive uma professora de literatura que era o máximo: Rose! Ela, em vez de obrigar os alunos a ler aqueles livros específicos e aterrorizantes, na minha opinião, nos fazia pegar todo mês qualquer livro na biblioteca, lê-lo e depois fazer um resumo em uma ficha pautada como ESSA, que a gente organizava por datas num álbum de fotos. No fim do ano foi muito legal ver meu álbum cheio de fichas com sinopses de histórias de todos os tipos. Eu mantive esse hábito até o final da 8ª série, mesmo que minha professora não fosse mais a Rose.

Foi nessa época que eu peguei gosto pela leitura. Acho que li toda aquela coleção Vagalume, li vários clássicos do Pedro Bandeira, de quem sou fã até hoje. Alguém lembra dos Karas em “A Droga da Obediência“, “Anjo da Morte” e “A Droga do Amor“? Sensacional! Li vários “Harry Potters” e ficava feliz quando conseguia terminar um livro “daqueeeeele tamanhããão” com 12 anos de idade. Com uns 15, li “O Poderoso Chefão“. Livro de gente grande, cheio de palavras difíceis, mas era emocionante. Li biografias, livros de adolescentes tipo Thalita Rebouças entre os brasileiros e Meg Cabot entre os gringos.

Confesso que nunca cheguei a ler inteiro aqueles “livros de vestibular“. Pra não falar que não li, minha professora de literatura do colegial fazia leitura coletiva de Vidas Secas. A gente fazia uma roda e cada um lia um trecho. Continuei odiando.

Até que fui bem no vestibular! Era muito mais interpretação de texto do que qualquer outra coisa. Mas putz… que felicidade em me livrar daquilo tudo! Adiós, Machado de Assis! Hello, Gregory David Roberts, o gênio que escreveu Shantaram em suas quase 1.000 páginas! Isso sim!

Enfim…

A ideia desse post veio a partir de um e-mail que acabei de receber do meu avô sobre a interpretação de um CLÁSSICO poema de Camões por uma vestibulanda da Bahia que tirou 10 na questão. Achei GENIAL. É o que eu sempre pensei desse trecho e tinha náuseas quando o professor o interpretava cheio de melancolias na escola.

O trecho do poema:

‘Amor é fogo que arde
sem se ver,
é ferida que dói e não se sente,
é um contentamento descontente,
dor que desatina sem doer ‘.

A interpretação genial da menina, que tirou 10 pela originalidade:

‘Ah, Camões!, se vivesses hoje em dia,
tomavas uns antipiréticos,
uns quantos analgésicos
e Prozac para a depressão.
Compravas um computador,
consultavas a Internet
e descobririas que essas dores que sentias,
esses calores que te abrasavam,
essas mudanças de humor repentinas,
esses desatinos sem nexo,
não eram feridas de amor,
mas somente falta de sexo!’

Depois de 500 anos, ela viu que o único problema de Camões é falta de mulher!

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7 comentários

  1. Incrível. E é bem assim mesmo.
    E ainda reclamam que o brasileiro tem um péssimo hábito de leitura; tudo bem que são obras clássicas, e conceituadas, mas meu isso realmente importa pra nossa geração e para as que virão a seguir?!

    A propósito, conseguiu terminar o Shantaram?


    • Pois é, Marlon! Às vezes relaciono muito o péssimo hábito de leitura dos brasileiros com essa obrigação totalmente errada que acontece nas escolas! Muitos dos meus colegas, na época, pegaram raiva de qualquer livro por causa dessas aulas! Não deveria ser assim… acho que o método dessa minha professora Rose, que citei no post, foi perfeito! Ela só queria que a gente lesse alguma coisa, não precisava ser aquilo que estava no “script”.

      Não consegui acabar Shantaram! Que jeito? Marcião tomou conta de qualquer tempo livre que tive nessas últimas semanas, você sabe! Huahuaha! Mas eu hei de terminá-lo :D


  2. Eu até li alguns clássicos mas tb tive a sorte de ter uma professora igual a sua, e acabei lendo vários da coleção Vagalume, entre outros, e foram eles que fizeram eu pegar gosto pela coisa e não um “Vidas Secas” da vida.

    Ótimo post


  3. Péssimo essa coisa de leitura obrigatória. O que dizer de ‘Iracema’? Quase me suicidei quando tive que ler! hahaha

    mas também sempre fui fã dos livros, sempre li muito. Sábado fiquei toda feliz indo na Saraiva comprar um livro que tava afim de ler fazia um tempo, afinal, chegaram as FÉRIAS e isso signfica MUITO tempo pra ler! :D

    =*


  4. Concordo que ler clássicos da literatura brasileira/portuguesa com 12 anos é sacanagem, também odiava, mas nem por isso podemos tirar a genialidade do Machado de Assis, reconhecido no mundo inteiro como um grande gênio da literatura.

    Ler Machado com 12 anos é uma coisa, eu li, odiei. Mas (re)ler com 20 anos, com tempo, sem pressão e sem ser por obrigação, é outra coisa completamente diferente!!

    Bjo, bibica !


  5. Confesso que eu também não gostava (e ainda não gosto muito) de Literatura, acho a linguagem muito coloquial, muito exagerada, difícil..
    Mas simplesmente amo os livros da Meg Cabot, já li todos eu acho, da série o Diario da Princesa,demais!
    E HP é demais também , mas só li um, muito grande,rs

    Beijo..



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